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ESCAFANDRO.ORG | ARTE & CULTURA

Seção: Crônicas



3 post(s) publicado(s) em “Crônicas”.

Postado em 2/11/2008 14:38 por Gabriel Vituri

As saudades da Bossa Nova enfim se foram...



Que material cultural também é mercadoria, não é novidade pra ninguém. Todavia, o que se constatou durante o ano todo foi um aproveitamento mórbido da comemoração dos 50 anos da Bossa Nova.

Não dá para dizer também que o aniversário de meio século da batida musical brasileira não gerou bons frutos; exposições sobre o movimento muito bem produzidas e ótimas reportagens publicadas nos veículos de comunicação mostram que houve empenho para comemorar a data com estilo.

Mas ainda assim, mesmo que João Gilberto tenha resolvido reaparecer no seu “país do coração”, pouquíssimos tiveram o privilégio de conferir o seu concerto e de outras grandes estrelas em evidência na música brasileira, como, por exemplo, Caetano e Roberto Carlos.

Por outro lado, editoras e lojas de bens de consumo “intelectualizados” criaram seções em suas lojas estampando a tal “Bossa Nova”, lançaram coleções e promoveram shows (alguns gratuitos, é verdade) sem saberem ao certo o porquê.

Talvez João Donato não esteja sendo tão radical quando diz que cansou de falar de Bossa Nova...

Postado em 28/8/2008 17:28 por Alexandre Aragão

Flores e ditados



    Caiu no chão. A pequena peça prateada, antes pendurada a pendular, pendeu e pôs-se no chão. Rolou, descansando no fundo do bueiro. Valquíria, 21 anos, um travesti “muito bem montado, sim sinhô”, entrou em desespero. Afinal de contas, encontrar um brinco tão lindo naquela altura do centro da cidade, já tão longe da estação República do Metrô, era quase impossível. Nessa horas, a vaidade não falta a nenhuma mulher – nem às quase-mulheres.
    - Ou você engole a Selva de Pedra, ou a cidade engole você!
    Valquíria, flor que não se cheira, certamente engolia a cidade. Desse modo, não poderia deixar desfalcado seu conjunto de corrente e brincos assim, facilmente.

***

    Distraído, Cabo Ferreira passava pela Rua Vitória fazendo vista grossa aos trabalhadores noturnos. A bordo de sua patrulha motorizada, virou à esquerda na Rua Do Triunfo. Gostava da combinação, Vitória e Triunfo. Apesar da calmaria, não pôde deixar de notar uma – à primeira vista – mulher, enfiando o braço até a altura do ombro dentro de uma boca-de-lobo, em posição nada confortável. Mesmo filho de nordestino cabra-macho, Cabo Ferreira acostumou-se sem esforço algum à vida pouco ortodoxa das madrugadas de São Paulo. Raros eram os finais de semana que não terminavam em dor de cabeça dominical. Assim, pouco por ofício e muito por safadeza – afinal de contas já havia requerido os serviços de mulatas algumas vezes –, Ferreira encostou sua moto ao lado de Valquíria.
    - A mocinha perdeu alguma coisa? Tô aqui pra manter a ordem, se é que você me entende.
    A risada do policial, alta e espalhafatosa, acalmou o travesti, aparentemente pouco habituado aos maus-tratos da vida na rua.
    - Pois é, “seu polícia”, minha argola caiu no buraco.
    - Pra mim tuas cadeiras tão no lugar, rapariga. Que história é essa de argola no bueiro?
    A hostilidade fez Valquíria pensar em desistir de reaver seu tesouro. Suando frio e quase gaguejando, tentou explicar melhor:
    - Meu brinco, meu brinco. Foi meu brinco de argola que caiu no bueiro.
    - Ah, tá. Num explica direito, pô!
    Num ato que beirou a espontaneidade, Cabo Ferreira ficou de cócoras, inclinou-se para frente, e realizou o ato que há quase trinta minutos estava sendo repetido pelo travesti: enfiar o braço dentro da boca-de-lobo e tentar alcançar a argola prateada. Treze centímetros mais baixo que Valquíria – sem contar o salto agulha, de quinze centímetros –, o policial realizou essa tentativa mais por instinto que por razão, uma olhada mais criteriosa teria sido suficiente para perceber que seria inútil.
    - Num tá dando certo! O que a gente faz?

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Postado em 25/7/2008 10:31 por Alexandre Aragão

O cronista Vinicius de Moraes

"Para viver um grande amor", coletânea de poesias e crônicas escritas, em sua maioria, para o jornal carioca "Última Hora", mostra uma faceta do mestre Vinicius de Moraes que a maioria não conhece.



Organizados por Yvonne Barbare, secretária do escritor, os textos que fazem parte da obra têm todos um tema em comum: um grande amor. Isso, claro, é fruto de uma das tantas paixões da vida de Moraes: Maria Lúcia, então esposa do autor, a quem ele descreveu da seguinte forma: "Teu rosto como um templo / Voltado para o Oriente / Remoto como o Nunca / Eterno como o Sempre".

Inspire-se você também por essa ótima obra e, quem sabe, encontre finalmente um grande amor.

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