Postado em 14/8/2008 0:42 por Alexandre Aragão
Humberto Werneck e Fernando Morais falam de seus biografados, Jayme Ovalle e Paulo Coelho
Ocorreu ontem o último debate do “Mini-ciclo” de Jornalismo realizado pela Livraria da Vila, em parceria com a revista Piauí e com a editora Cosac Naify. O tema do debate, mediado pelo jornalista Cassiano Elek Machado, foi jornalismo biográfico; o evento contou com a participação de Humberto Werneck – autor de “O Santo Sujo: a vida de Jayme Ovalle” – e Fernando Morais – que escreveu “Olga”, “Chatô, o rei do Brasil” e mais recentemente “O Mago”, biografia de Paulo Coelho.

Em tom descontraído, o biógrafo estreante Humberto Werneck iniciou o debate. “A maior dificuldade foi encontrar uma grande fonte de pesquisa”, disse o autor, sobre o processo de apuração do livro, “se eu soubesse a encrenca em que estava me metendo, não teria entrado nessa”, completou.
Quando perguntado pelo outro convidado, Fernando Morais, por que havia escolhido Jayme Ovalle, Werneck disse que um dos maiores motivos foi o boato de que livros – e até mesmo baús de material, segundo ele – inéditos estavam escondidos em algum lugar. “Trinta ou quarenta poemas em inglês” foi tudo o que o recém-biógrafo encontrou, no final das contas.
O mediador Cassiano Machado, então, perguntou a Fernando Morais se ele havia “entendido o enigma Paulo Coelho”. Ao que Morais respondeu, de pronto: “O segredo de Paulo, assim como Umberto Eco já disse em entrevista, é que ele escreve para quem tem fé, para quem acredita”.
“O Mago”, novo livro de Fernando Morais, é um marco em sua carreira: foi a primeira vez que uma pessoa biografada por ele ainda estava viva. De acordo com o autor, “com um personagem morto você lida com informações de segunda mão, na melhor das hipóteses”, o que diminui a veracidade dos dados coletados. “Eu passei seis semanas com Paulo, das oito da manhã até a meia noite. Ninguém consegue encenar todo esse tempo”. Esse pensamento acabou provocando um conflito ético para o escritor: “Até que ponto eu tenho o direito de expor a intimidade de alguém que está sendo leal a mim?”. O biógrafo disse que, apesar de suas dúvidas, decidiu que Paulo estava ciente das situações que poderiam aparecer na obra, e que se quisesse impor limites o faria sem problemas. “Vivo não quero mais”, concluiu Morais, aos risos.

Em tom descontraído, o biógrafo estreante Humberto Werneck iniciou o debate. “A maior dificuldade foi encontrar uma grande fonte de pesquisa”, disse o autor, sobre o processo de apuração do livro, “se eu soubesse a encrenca em que estava me metendo, não teria entrado nessa”, completou.
Quando perguntado pelo outro convidado, Fernando Morais, por que havia escolhido Jayme Ovalle, Werneck disse que um dos maiores motivos foi o boato de que livros – e até mesmo baús de material, segundo ele – inéditos estavam escondidos em algum lugar. “Trinta ou quarenta poemas em inglês” foi tudo o que o recém-biógrafo encontrou, no final das contas.
O mediador Cassiano Machado, então, perguntou a Fernando Morais se ele havia “entendido o enigma Paulo Coelho”. Ao que Morais respondeu, de pronto: “O segredo de Paulo, assim como Umberto Eco já disse em entrevista, é que ele escreve para quem tem fé, para quem acredita”.
“O Mago”, novo livro de Fernando Morais, é um marco em sua carreira: foi a primeira vez que uma pessoa biografada por ele ainda estava viva. De acordo com o autor, “com um personagem morto você lida com informações de segunda mão, na melhor das hipóteses”, o que diminui a veracidade dos dados coletados. “Eu passei seis semanas com Paulo, das oito da manhã até a meia noite. Ninguém consegue encenar todo esse tempo”. Esse pensamento acabou provocando um conflito ético para o escritor: “Até que ponto eu tenho o direito de expor a intimidade de alguém que está sendo leal a mim?”. O biógrafo disse que, apesar de suas dúvidas, decidiu que Paulo estava ciente das situações que poderiam aparecer na obra, e que se quisesse impor limites o faria sem problemas. “Vivo não quero mais”, concluiu Morais, aos risos.







