Postado em 19/4/2008 19:00 por Alexandre Aragão
O Regime Militar e a obra "Dois perdidos numa noite suja", de Plínio Marcos
Após o Ato Institucional Número Um (AI-1), tomou a cadeira presidencial o General Castelo Branco, fazendo o Brasil passar por mudanças em vários campos: todos os partidos políticos foram abolidos, foram tomadas medidas para combater a inflação, instituída a Lei de Imprensa, etc. E é exatamente a Lei de Imprensa que convém falar aqui.

Plínio Marcos, diretor, ator, escritor de peças teatrais e o que mais lhe desse na telha, teve seu momento mais ativo durante o regime militar. Mais especificamente no ano de 1966, Plínio escreveu a peça “Dois perdidos numa noite suja”, que trata de dois personagens, Paco e Tonho. O texto, que já foi montado várias vezes no Brasil e em outros países, é inspirado em “O terror de Roma”, presente na coletânea “Contos romanos”, do autor italiano Alberto Moravia. A peça de Plínio, entretanto, por não possuir um narrador, confere mais importância aos personagens, tornando possível uma análise psicológica mais profunda dos anseios de Paco e Tonho. A crítica social não é panfletária, está subentendida nos mais sutis elementos da trama, desde a descrição do quarto (o próprio quarto, na encenação) onde se passa toda a história, passando por Tonho “ter estudado” e acabar com uma vida de crimes, até a própria figura de Paco, um “malandro” por natureza. A obra foi transformada em filme por duas vezes, uma em 1970 e a outra em 2002. Na minha opinião nenhuma das duas interpretações consegue substituir a leitura ou a dramatização de “Dois perdidos numa noite suja”.

"Não faço teatro para o povo, mas faço teatro em favor do povo."
Plínio Marcos, diretor, ator, escritor de peças teatrais e o que mais lhe desse na telha, teve seu momento mais ativo durante o regime militar. Mais especificamente no ano de 1966, Plínio escreveu a peça “Dois perdidos numa noite suja”, que trata de dois personagens, Paco e Tonho. O texto, que já foi montado várias vezes no Brasil e em outros países, é inspirado em “O terror de Roma”, presente na coletânea “Contos romanos”, do autor italiano Alberto Moravia. A peça de Plínio, entretanto, por não possuir um narrador, confere mais importância aos personagens, tornando possível uma análise psicológica mais profunda dos anseios de Paco e Tonho. A crítica social não é panfletária, está subentendida nos mais sutis elementos da trama, desde a descrição do quarto (o próprio quarto, na encenação) onde se passa toda a história, passando por Tonho “ter estudado” e acabar com uma vida de crimes, até a própria figura de Paco, um “malandro” por natureza. A obra foi transformada em filme por duas vezes, uma em 1970 e a outra em 2002. Na minha opinião nenhuma das duas interpretações consegue substituir a leitura ou a dramatização de “Dois perdidos numa noite suja”.







