Reforma Ortográfica para que e para quem?

O MEC (Ministério da Educação) enviou uma proposta para que a reforma ortográfica da língua portuguesa entre em vigor em 2009. Apesar de ainda precisar passar por avaliação dos ministros da Cultura, da Educação e das Relações exteriores para conseguir a sanção presidencial (processo que deve durar cerca de um mês), é bem possível que seja aprovada, já que a reforma é decorrência de um acordo ortográfico intenacional. O acordo pretende unificar todos os textos escritos nos oito países de língua portuguesa. Algumas das mudanças serão:
- Incorporação das letras “k”, “w”, e “y” ao alfabeto, que ficará com 26 letras;
- Supressão dos acentos diferenciais, como o de “pára”, do verbo parar; de acentos agudos em ditongos como o de idéia (virará “ideia”); e do circunflexo em “vôo” ou “crêem”;
- Mudanças com o hífen;
- O trema desaparecerá.
Sinceramente, acho que os países de língua portuguesa deveriam estar mais interessados no intercâmbio cultural. Se investissem os esforços que têm sido colocados nessa unificação ortográfica, desde 1994, em projetos de divulgação e distribuição de obras de autores da língua nas escolas públicas, a tão desejada aproximação entre Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal seria muito mais interessante e natural.
Nada imposto por decreto acontecerá com naturalidade. Destruir nuances da língua é um empobrecimento cultural e exclui signos próprios constituídos por determinada sociedade em um determinado espaço de tempo.
Além do mais, não entendo porque tanta preocupação com a reforma, já que a ortografia não vai alterar o modo de falar das pessoas, e muitas vezes, nem mesmo o modo de escrever, já que a escrita é, ainda, negada a muitos.
Mas, o MEC insiste em que, a partir do ano que vem, todos os textos produzidos já devem ser escritos na nova norma.
O MEC deveria estar investindo na reforma da educação, na integração cultural com respeito às diferenças, na alfabetização, no incentivo a produção de obras, na melhora ao acesso dessas obras, e não numa hipócrita reforma ortográfica.







